O silêncio é a trilha sonora mais traiçoeira. Especialmente quando ele se instala depois de uma vida inteira de ruído. Clive Davis, o titã por trás de alguns dos maiores contratos da história da música, calou-se aos 94. Um gigante. Rod Stewart, Carlos Santana, Patti Smith e uma penca de outros nomes que moldaram o som que a gente ouve hoje, prestaram suas homenagens a esse visionário. O sujeito que assinou com Pink Floyd, Aerosmith, o próprio Santana que tanto o elogiou, Janis Joplin e Bruce Springsteen — uma lista que faria qualquer executivo de hoje chorar no banho. Ele não só ouvia música. Ele ouvia artistas. E, para o bem ou para o mal, transformou a intuição em um império.
Mas, como se diz, a fila anda. E o rock, esse velho teimoso, recusa-se a ficar de luto por muito tempo. Enquanto os obituários rolavam, a gurizada já tratava de mover as peças do tabuleiro. Olivia Rodrigo, por exemplo, não só lançou seu terceiro álbum como também anunciou um festival só dela: o Daisy Chain Fields. E não é qualquer festival. É um evento all-female, com Stevie Nicks, Bikini Kill, Die Spitz, Doechii, Garbage, Chappell Roan e mais em um lineup que, segundo o Louder Sound, é “verdadeiramente insano”. “Margaridas são selvagens e bonitas. Em uma corrente, são fortes e inquebráveis”, disse ela. É o Lilith Fair da geração Z, e se serve pra chutar umas portas, que venha.
E por falar em festival, o Hellfest, essa besta-fera do metal, já cresceu para 300 bandas e dez palcos em 2027. Vai precisar de um GPS para não se perder lá dentro – e um fígado novo. Enquanto isso, o Iron Maiden, esses senhores inabaláveis, decidiu banir celulares de uma área do show de Paris para filmar um novo filme-concerto. Não é uma proibição, é uma experiência (e um marketing danado). A gente aguenta duas horas sem filmar pra ter um material decente dos caras, certo?
E o Deep Purple? Ah, o Deep Purple. Enquanto o novo álbum, “Splat!”, nem saiu ainda (chega em 3 de julho, pelo amor, gente!), o baterista Ian Paice já tá falando em outro disco em 2027. Esses dinossauros do rock parecem ter descoberto a fonte da juventude — ou só têm um contrato a cumprir, quem sabe.
O rock, como a vida, é uma constante traição e renovação. Um titã se vai, mas a próxima leva de barulho já está na porta. E talvez seja isso que o mantenha vivo: a capacidade de se reinventar, de chocar, de seguir em frente.