Retratos de Gene Simmons e Dave Mustaine, em poses pensativas ou irritadas, lado a lado

Kiss e Megadeth: quando o rock vira divã (e o divã vira ringue)

Mês novo, mas a velha guarda do rock insiste em nos lembrar que certas coisas nunca mudam. E, sejamos honestos, ainda bem. Porque se fosse só música e paz, o que a gente ia comentar na mesa do bar?

O Dia em que Gene Simmons Perdeu o Beijo (e o Emprego)

Gene Simmons, o Dr. Love do Kiss, aquele que cospe fogo e língua pra fora — o que ele não faz é cuspir pra dentro em se tratando de política. O Wikimetal noticiou que o eterno demônio revelou ter perdido trabalhos por causa de seus comentários sobre Donald Trump.

Olha, não é que a gente não soubesse que política dá briga. Mas o cara que construiu uma carreira em torno de maquiagem, plataformas e showmanship achar que pode ser um porta-voz político sem consequências é no mínimo ingênuo, né? Ou talvez ele só esteja interpretando o personagem do “empresário que não se importa com a opinião alheia” até o fim. O que é bem rock and roll, se você pensar bem. O problema é quando o rock and roll paga as contas e a política tira elas. A lição? Às vezes, o silêncio é de ouro, especialmente quando a língua já vale milhões.

Mustaine, o Jornalista e a Briga Imaginária: A Saga do Que Não Morre

Falando em língua, mas agora a língua afiada, temos Dave Mustaine do Megadeth. O Roadie Crew relatou que o ruivo resolveu xingar um jornalista durante um show em Helsinque. O motivo? Uma pergunta sobre uma “imaginária briga” com James Hetfield.

Imaginária? Dave Mustaine e James Hetfield? É tipo dizer que a briga de Caim e Abel foi “imaginária”. A rivalidade entre Metallica e Megadeth é o pão e a manteiga da história do thrash metal. É a briga que mantém o universo em órbita. E o jornalista, coitado, só fez a pergunta que todo fã faria. Mas Mustaine, com a sensibilidade de um rinoceronte, transformou o palco num divã, só que em vez de terapia, teve foi terapia de choque verbal.

A verdade é que certas feridas não cicatrizam, só viram lendas. E Mustaine parece satisfeito em ser o guardião dessa lenda, mesmo que isso signifique explodir em cima de um coitado que só queria um clique. É o tipo de coisa que faz a gente amar e odiar o rockstar ao mesmo tempo. E, convenhamos, o show seria bem mais chato se eles fossem todos amigos e beijinhos.

Bruce Dickinson e o Hall da Fama: Quando a Honra é uma Piada

E para fechar a trinca de egos e opiniões fortes, Bruce Dickinson, a voz do Iron Maiden, veio a público dizer que Grammy e Rock and Roll Hall of Fame “não significam nada” para a banda. O Roadie Crew trouxe a declaração.

Claro que não significam nada. Para o Iron Maiden, que lota estádios em qualquer canto do mundo, vende milhões de discos e tem uma legião de fãs que se vestem como mascotes da banda, esses prêmios são só quinquilharia. É como o diretor da firma que já tem a própria ilha particular e diz que o bônus de Natal é “simbólico”. É a humildade arrogante no seu melhor, o que é bem a cara do Bruce.

Ele sabe que o Maiden está num patamar onde a validação externa é irrisória. A validação deles é o público, a longevidade e a capacidade de lançar discos que, mesmo após décadas, ainda soam como o Iron Maiden, e não como uma banda tentando agradar a academia. É um soco no estômago dos críticos, sem precisar levantar a mão. E por isso, só por isso, já vale mais que qualquer Grammy.