Mês de julho, o sol esquenta o asfalto e a gente aqui pensando: qual a sina do baterista de rock? Ou, para ser mais justo, a da seção rítmica inteira. Porque, convenhamos, ninguém parece ter uma vida fácil ali no fundo do palco. Ou na ficha criminal.
A Cabeça Não Acompanha a Batida
Comecemos com Eric Bass, o baixista do Shinedown. Segundo o Consequence of Sound e o Loudwire, o sujeito teve que se afastar da turnê por um “colapso de saúde mental bem sério”. Pense bem: estrada, pressão, hotéis diferentes a cada dia, e você ali, o tempo todo na base, segurando a onda pra galera pular. É o tipo de coisa que cobra seu preço, não é? E o cara ainda tem a decência de ser transparente e falar sobre o assunto, ao invés de inventar uma “indisposição gástrica” qualquer. Honestidade, essa doença rara no show business.
Chuck Berry Contra o Mundo (e Seus Baixistas)
Falando em saúde mental, mas de um tipo um pouco mais… físico, temos a saga de Keith Richards. O American Songwriter relata que o guitarrista (que também é baixista, quando a ocasião pede) levou um soco de Chuck Berry. Motivo? Keith Richards ousou tocar no amplificador de Chuck. No amplificador do pai do rock and roll. Que audácia, caramba! É o tipo de “ofensa grave do rock & roll” que só um gênio mal-humorado como Berry poderia inventar. E o Keith, claro, estava lá. De novo. No meio da confusão. O que nos leva a pensar: será que ser a base rítmica de alguém te coloca numa posição de apanhar mais?
Fiona Apple e a Fuga da Realidade (ou a Falta Dela)
E já que estamos no tema, que tal uma olhada na Fiona Apple? A mulher, que nunca foi de meias palavras, está com dificuldades criativas. O Stereogum conta que ela está lutando para escrever sobre o “bombardeio interminável de horrores” do mundo. Veja bem, a criatividade da moça sempre foi um rio de angústia e beleza, mas quando até ela, a rainha da introspecção, não consegue mais processar a realidade, é porque a coisa tá feia. Talvez ela devesse tentar umas batucadas. Quem sabe o ritmo não ajuda a organizar o caos?
Sam Fender, Olivia Dean e a Maldição do Recorde Quebrado
Para fechar o caixão, Sam Fender e Olivia Dean, dois jovens talentos, acabaram de quebrar um recorde britânico. O NME e o The Guardian comemoram que a dupla passou 16 semanas no topo das paradas com “Rein Me In”, superando o Wet Wet Wet. É um feito e tanto, ninguém discute. Mas vamos ser sinceros: records são feitos para serem quebrados. E o que acontece depois que você atinge o topo? Onde está a próxima escada? A pressão para se manter lá é o verdadeiro inferno. Pergunte a qualquer baterista que já teve que tocar “Born To Run” pela milésima vez. Não acaba nunca.
Então é isso. A vida no rock, especialmente na base rítmica ou na linha de frente mais vulnerável, não é pra qualquer um. É soco, é crise de ansiedade, é a realidade batendo na porta da sua musa. Mas, ei, pelo menos não é Alvin e os Esquilos. Ainda.